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  • Ago

    13

    2026

Brasil tem 4,3 milhões de empreendedores 60+, que trazem ensinamentos preciosos

O Brasil avança para ser o quinto país com a maior população de pessoas com 60 anos ou mais até 2030 e, naturalmente, isso acarreta uma transformação econômica: 4,3 milhões de brasileiros nessa faixa etária comandam seus próprios negócios.

Impulsionado pela longevidade crescente e pelos avanços em saúde, o empreendedorismo sênior chama atenção. Pela primeira vez, dados de 2025 do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) indicam que 63% dos seniores entre 65 e 74 anos empreendem por “oportunidade e não por necessidade”. Mas será que é essa a realidade de quem está aposentado e precisa continuar mantendo uma rotina de trabalho para garantir a dignidade?

A “revolução prateada” no empreendedorismo brasileiro é divulgada como uma quebra de paradigmas sobre a capacidade produtiva na maturidade. Embora o número de donos de negócios com 60 anos ou mais tenha crescido 53% entre 2012 e 2024, segundo a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, principal investigação do IBGE sobre o mercado de trabalho e as condições de vida no Brasil), nessa escolha existem tanto necessidades individuais e familiares, como preconceito e etarismo, que associam inovação e agilidade somente aos jovens.

 

Autoetarismo - "Um dos maiores desafios é o autoetarismo: achar que você não tem mais condições de produzir. Nosso trabalho é mostrar que a pessoa continua ativa, capaz de tocar um negócio", afirma Gilvany Theodoroviz Isaac, gestora da pauta Futuridade 60+ do Sebrae. A especialista destaca ainda duas características desse empreendedor: a experiência profissional e a busca por negócios com um propósito com o qual se conecte. 

E eles também trazem rede de contatos e capacidade de planejamento. “O empreendedor sênior costuma ter mais concentração, menos distrações e consegue produzir mais dedicando menos horas ao negócio em comparação aos jovens", explica Theodoroviz.

O atendimento humanizado é outro diferencial. Paciência, empatia, escuta ativa e preferência pelo presencial são características desenvolvidas ao longo da vida profissional e ajudam a construir relações de confiança.

Oportunidade X necessidade – Ainda segundo a mais recente edição da GEM, os donos de pequenos negócios com idade entre 65 e 74 anos empreendem mais por oportunidade do que por necessidade no Brasil. É a primeira vez que essa faixa etária foi incluída na GEM, cuja série histórica começou em 2001.

“Foi preciso inserir empreendedores ainda mais seniores neste ciclo de 2025 da pesquisa, pois essa fatia da população está cada vez mais ativa e voltando em peso ao mercado de trabalho”, afirma o presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares. A pesquisa é aplicada no país pelo Sebrae em parceria com a Associação Nacional de Estudos de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe).

A entrada dos empreendedores de 65 a 74 anos no levantamento traz um contraste na comparação com os empresários da faixa anterior, de 55 a 64 anos. No grupo com idade mais avançada, a proporção do empreendedorismo por oportunidade chega a quase 63%, sendo que a necessidade é motivo para apenas 32,5% dos seniores. Ou seja, a cada 190 que empreendem por oportunidade, 100 empreendedores iniciam os negócios por necessidade.

O resultado é o mesmo entre os empreendedores mais jovens, entre 18 e 34 anos, que também empreendem mais por oportunidade do que por necessidade. Na faixa etária de 35 a 54 anos, ainda que em proporção menor, também prevalece o empreendedorismo inicial por oportunidade (52%).

Por outro lado, na fatia de empresários entre 55 e 64 anos predomina a motivação por necessidade (53,3%), enquanto 42,3% empreendem por oportunidade. Portanto, para cada 80 empreendedores iniciais de 55 a 64 anos que empreendem por oportunidade, há 100 que o fazem motivados por necessidade.

Nesse contexto, observa-se uma queda de quase 21 pontos percentuais (p.p.) na motivação por necessidade dos empreendedores de 55 a 64 anos quando comparados com os da faixa de 65 a 74 anos.

Foto: Diário do Comércio

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